sábado, 2 de abril de 2011

Luta de José Alencar contra câncer chega ao fim

Natássia Lima

            Após uma série de internações e uma constante batalha contra o câncer, o ex-vice-presidente, José Alencar, morreu na tarde de 29 de abril de 2011, como um grande exemplo e estímulo para muitas pessoas que enfrentam essa terrível doença.
            O câncer é uma das doenças que mais mata no Brasil, justamente porque o diagnóstico costuma ser tardio. Mas esse não foi o caso de José Alencar, pois foi num exame de rotina que ele descobriu os primeiros tumores malignos, ainda em 1997. O rim direito e dois terços do estômago foram retirados. Cinco anos depois, outro tumor foi constatado, dessa vez na próstata, que foi removida. Em julho de 2006, um sarcoma, um tumor maligno, apareceu no abdômen. Apesar de removido ele voltou quatro meses depois.
            Em 2007, o ex-vice-presidente foi operado novamente. Mais um ano e o sarcoma voltou a se formar. Pela oitava vez, José Alencar foi para uma mesa de cirurgia. Em 2009, novos exames revelaram que o tumor continuava crescendo no abdômen. A alternativa apresentada pelos médicos foi uma cirurgia radical e bastante complexa, a mais longa e difícil de sua vida. Os últimos anos foram de internações seguidas, mas apenas paliativas, pois não havia muito que ser feito.
            Apesar de tudo o que enfrentou, José Alencar nunca se deixou esmorecer. Pessoas que conviveram com ele afirmam que, devido às circunstâncias, muitas das vezes era ele quem dava apoio e palavras de incentivo aos que estavam a sua volta e chegou a declarar numa entrevista: “Eu não tenho medo da morte, tenho medo da desonra. A morte é um fenômeno natural. Assim como você nasce, você vai morrer um dia, e não temos que ficar pensando nisso de forma alguma. E você vai viver o tempo que Deus quiser que você viva”.

sábado, 19 de março de 2011

Homossexualidade: um direito ou um crime?

Lorena Brites
Na sociedade moderna quase tudo se torna obsoleto em menos de um mês, no mundo plural cheio de tendências em que vivemos atualmente, em pleno século XXI, é um disparate discussões tão retrógradas como a questão da homossexualidade.
Afinal ser homossexual é um direito pessoal ou um crime contra os demais membros da sociedade? Desde antes de Cristo já existiam homossexuais, a ciência explica que até os animais podem ter inclinações a homossexualidade, ainda assim persiste-se em apontar a homossexualidade como algo estranho, feio e às vezes pecaminoso.
Cerca de 20 países incluindo nosso vizinho hermano, Argentina, tem leis que asseguram os direitos dos homossexuais casarem (seja no civil ou no religioso) e alguns sobre adoção de crianças.
Na quinta-feira (24/02) o deputado Jean Wyllys do PSOL, fez seu primeiro discurso na câmara, causando burburinho entre os deputados ao anunciar que irá defender um Projeto de Emenda a Constituição (PEC) para reestruturar a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).
Jean Wyllys tem como forte aliada a senadora Marta Suplicy (PT-SP), na concepção do deputado, também jornalista e professor (ex-participante do Big Brother Brasil, 2005) “a união estável civil entre homossexuais não inflige a nenhum dogma das religiões, pois no religioso o casamento tem fundamentos diferentes dos impostos na união civil”. Dentre as muitas pretensões do deputado, estão um projeto de lei de criminalização da homofobia, e o projeto pedagógico Escola Sem Homofobia, no qual será distribuído para as escolas kits com um material acerca do assunto com o intuito de ser abordado em sala de aula pelos professores com os alunos. No entanto, para conquista de seus projetos o deputado Jean Wyllys terá de vencer seus inimigos no plenário, a bancada cristã e o capitão do exército Jair Bolsonaro, que são os mais contrários às propostas do deputado do PSOL.

sábado, 5 de março de 2011

Renovação para 2014 já começou

Thairiny Diniz
O Brasil está se preparando para receber a Copa do Mundo de 2014. Diversos estádios estão interditados para obras, caso do Maracanã e do Mineirão. Além disso, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu um importante passo para a reformulação da seleção brasileira com a contratação do técnico Mano Menezes. Uma das exigências foi dar oportunidade para os jovens talentos, a renovação dos jogadores e a criação de um projeto que visa integrar as categorias de base com a seleção principal.
Para isso, Mano Menezes convidou o técnico Ney Franco para ser o coordenador das categorias de base e treinador da seleção sub-20. O projeto teve início já em 2011, com o Campeonato Sul-Americano no Peru, que classificou duas equipes para a disputa dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres e uma delas foi o Brasil, uma das melhores seleções para o Campeonato Mundial da categoria.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Twitter como meio de informação jornalística

Marcelo Mesquita

Muito tem se falado das redes sociais e até aonde elas conseguem chegar. A internet, já há algum tempo, se tornou o centro das atenções e basta se conectar para navegar em uma infinidade de sites dos mais variados interesses possíveis para ter o que se quer. Com este grande volume de informações, surgem as redes sociais que aos poucos conquistaram jovens e adultos que querem descobrir novas ferramentas para comunicação.
O twitter é um bom exemplo de rede social de grande sucesso, pois interage de tal forma que milhares de pessoas podem ler o que se escreveu em segundos. Lógico que a internet tem uma outra linguagem e para aqueles que estão terminando o curso de Jornalismo fica uma pergunta, “em que área eu devo começar, internet ou jornal tradicional?”.
Alguns jornalistas, até os mais experientes, acham o twitter uma ferramenta útil, porém complexa. Para o jornalista Luciano Dias, “o twitter está voltado para as novas gerações, por isso, nós mais velhos aprendemos com os estagiários a ‘twittar’”. Ele também reforça como o jornalista pode usar o twitter de um cantor, sem precisar passar pelo seu assessor para conseguir uma informação. “Quando o artista vai escrever no twitter, é para a outra pessoa que ele está escrevendo e não para os jornalistas”, conclui Luciano.
A jornalista Christina Fuscaldo, apesar de ser um pouco mais jovem, descobriu o twitter ano passado no Globo Online e desde então ‘twittou’ algumas apresentações de artistas. “No início começava a ‘twittar’ o show, chegava em casa e fazia o lide”, conta a jornalista, que em outras situações transformava um texto jornalístico em 140 caracteres e o jogava no twitter.
Em duas horas de show da dupla sertaneja Jorge & Mateus, Christina ‘twittou’ a ponto de conseguir cinco mil novos seguidores para a dupla. “Vendi o serviço de twitter para o empresário deles e ‘twittei’”, finalizou Christina.
Aos poucos, o twitter conquista o mundo e de lazer passa ser instrumento de trabalho. Parece que ainda vamos falar e escrever muito dessas e nessas redes sociais.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Arteterapia promove o bem-estar

Thairiny Diniz
Diferente da terapia ocupacional, em princípio pelo próprio nome, a Arteterapia não tem como intenção "ocupar", mas sim proporcionar experiências de criação, autoconhecimento e crescimento pessoal, pois são atividades que vão além da atuação do terapeuta.
Depressão, ansiedade, inibição, autoestima baixa, doenças crônicas, distúrbios alimentares, problemas conjugais, estresse, comportamentos violentos, distúrbios do sono e traumas de infância, são alguns dos problemas apresentados pelas pessoas que mais buscam a arteterapia como auxílio para cura dessas enfermidades do homem moderno.
As atividades desenvolvidas neste processo permitem trabalhar harmonia, espontaneidade, coordenação motora, motivação, auto-imagem, superação de obstáculos, desinibição, entre outras. Consequentemente ocorre um aperfeiçoamento na forma de comunicação do sujeito consigo e com o grupo que interage.
Na maioria dos casos, é aconselhado por especialistas de áreas como Neurologia, Psicologia e Psiquiatria, pois o paciente se envolve com a arte e, por algumas horas, corpo e mente relaxam, propiciando um verdadeiro bem-estar.
De acordo com a Psicóloga e Professora de artesanato, Solange Oliveira, “o mundo mágico das artes pode levar ao profundo relaxamento”. Ela desenvolve um trabalho com a arteterapia há seis anos. Atualmente em um espaço maior, a Pinte & Borde, no Jardim Icaraí em Niterói.
A professora afirma que a falta de ocupação leva o indivíduo ao isolamento. Em suas aulas, os alunos interagem, trocam experiências e fazem novas amizades. Segundo a aluna Rosely Andrade, “uma tarde na Pinte & Borde, vale mais que um mês de terapia”.
Solange garante que o artesanato, além de ser uma terapia, pode tornar-se uma fonte rentável. Algumas alunas já pagam suas aulas com o próprio ganho de peças vendidas, o lucro depende do capricho e nesse quesito a professora ressalta sua exigência, “capricho e bom acabamento é tudo.” A partir de seis anos já se pode participar das aulas e não tem limite de idade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Destruição e solidariedade em Nova Friburgo

Marcelo Mesquita

Partimos de Niterói às 08h da manhã de terça-feira, 18 de janeiro com destino à cidade de Cachoeiras de Macacu. Lá sairia mais um caminhão que nos aguardava para o transporte das garrafas de água mineral que seriam doadas às vítimas das enchentes de Nova Friburgo. Num total de 10 mil litros.
Seguimos pela RJ-116 que liga Cachoeiras de Macacu a Nova Friburgo. Nas praças de pedágio os caminhões que levavam donativos para a Região Serrana eram liberados. Pelo caminho pudemos constatar o nível dos estragos causados pelas chuvas. Presenciamos a enorme destruição causada pelos deslizamentos na estrada, em que crateras imensas ficaram abertas na pista.
Era comum ver vários carros da Polícia, Bombeiros e da Defesa Civil espalhados por toda a cidade. Caminhões de seguros haviam rebocado muitos carros que tinham sido atolados pela lama das enxurradas. Também havia casas em situação de perigo, em que deslizamentos poderiam acontecer a qualquer momento em que houvesse uma chuva forte.
Enquanto estávamos na altura da Serra Verde Imperial, faltando aproximadamente uns 13 km para o centro da cidade de Nova Friburgo, um engarrafamento impedia os motoristas de prosseguirem. Havia apenas uma passagem e a Polícia estipulava um tempo determinado para a travessia dos carros. O engarrafamento era muito grande e chegamos a ficar mais de uma hora completamente parados. O transtorno fez com que alguns motoristas saíssem de seus carros e aguardassem do lado de fora.
Apesar de ter vários caminhões recolhendo o entulho e a lama, também havia bastante lixo e destroços nas calçadas e espalhados pela rua. A maioria da população usava máscaras para se proteger de possíveis contaminações que pudessem vir pelo ar, devido a grande quantidade de poeira e ao mau cheiro que a sujeira causava. Um posto do Hemorio foi montado no centro de Nova Friburgo para que as pessoas pudessem doar sangue. A Marinha também colocou veículos para o auxílio às vítimas, além da instalação de um hospital de campanha.
O governador Sérgio Cabral também estava na cidade e anunciou projetos habitacionais e disse que a parcela do benefício do Aluguel Social será paga para os seis mil desabrigados já no início de fevereiro.
Por volta das 14h chegamos na Avenida Alberto Braune para a descarga da água. A Defesa Civil, com ajuda de voluntários, recolhia todas as doações na antiga fábrica Ypu em Nova Friburgo e descarregamos os caminhões. Segundo o motorista Ivanildo: “estar contribuindo para esse pessoal que precisa, é gratificante”, concluiu.
E não é para menos, a cidade de Nova Friburgo foi uma das mais atingidas pelas enchentes. O governo decretou estado de calamidade pública na região. Até o final desta edição, o número de mortos chegava a 742 em toda Região Serrana, com 353 mortos em Nova Friburgo, 298 em Teresópolis, 62 em Petrópolis, 22 em Sumidouro, seis em São José do Vale do Rio Preto e um em Bom Jardim. Ainda há a possibilidade de encontrar mais corpos e estima-se que 25 mil pessoas ainda estejam desalojadas e desabrigadas em toda a Região Serrana.
Fotos: Marcelo Mesquita

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Guerra no Rio: Estado e comunidade uniram forças

Pablo Tavares

         A guerra contra o tráfico, como jamais se viu no Estado do Rio de Janeiro, teve um fator determinante para a vitória das forças aliadas, militares e policiais, perante a criminalidade: a população. Desde o início das operações que visavam dar uma resposta firme à onda de ataques criminosos, o povo do Rio de Janeiro serviu como um parceiro indispensável ao trabalho das forças de segurança.
         A população, que em muitas vezes se viu impotente diante das ações dos bandidos, que durante décadas aterrorizaram o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro. Desacreditados com o trabalho da polícia, os moradores clamavam por uma repressão maior em relação aos traficantes. A invasão do Complexo do Alemão era a atitude que faltava para enfim, a população se tornar participativa na caça aos criminosos.
         Diante da resposta firme da polícia à onda de ataques, pessoas comuns aderiram ao trabalho de investigação policial, ajudando com informações e denúncias através do Disque-Denúncia. Este serviço apresentou aumento considerável no número de ligações recebidas com diversas informações, desde os locais onde bandidos estariam escondidos, até onde havia armamentos e drogas entocadas. Esta foi a forma da população demonstrar apoio às forças de segurança.
         A atitude da população foi comemorada pelo Estado, tendo em vista que muitas das apreensões, feitas durante a varredura em locais como a favela do Alemão e na Vila Cruzeiro, foram graças a informações de moradores passadas a policiais. Vale lembrar que todo o cuidado de anonimato destes informantes foi realizado.
         Para se ter uma idéia da força da população neste trabalho feito pela polícia, desde que a onda de ataques se iniciou, o número de ligações recebidas pelo Disque-Denúncia, com informações de traficantes, ataques e locais em que armas e drogas estivessem escondidas ultrapassou a marca de 3,6 mil ligações. Este número foi apenas na segunda-feira, 29 de novembro – dia em que os ataques se iniciaram. Vale lembrar que a média de diária não passava de 300 ligações.
         O que se notou diante deste trabalho conjunto entre população e Estado é que, finalmente, comunidade e governo trabalharam de forma conjunta. O resultado conseguido através desta ação de ajuda mútua é uma importante demonstração que Estado e comunidade devem trabalhar juntos, seja no combate a criminosos, ou em assuntos de interesse geral. A tomada do Complexo do Alemão foi um exemplo claro de que, quando se junta forças, Estado e comunidade se fortificam.