terça-feira, 28 de maio de 2013

Via Expressa da Morte

Marcelo Mesquita


            Era um homem de uns quarenta e poucos anos, um grande empresário. Tinha várias mansões nos lugares mais bonitos do mundo. Ele era casado com uma bela mulher e tinha dois adoráveis filhos, falava muitas línguas, era respeitado por todos onde quer que fosse.
            Sempre fez questão de estar presente nos mais glamourosos eventos da alta sociedade. Todos o reconheciam, mas num belo dia de sol, a única coisa que deu para reconhecer foi sua arcada dentária.
            Dirigindo seu carro em alta velocidade, indo para o centro, ao fazer a curva, ele perde o controle do veículo e colide violentamente com um caminhão que vinha no sentido contrário.
            O impacto da batida foi tão forte que praticamente não sobrou nada do carro que ficou totalmente amassado, algumas peças pararam quase 50 metros do local do acidente. A explosão provocou uma enorme fumaça que parou toda a capital. O corpo do empresário foi achado carbonizado e aquela curva, com suas belas árvores em volta da pista, tornou-se conhecida como a Via Expressa da Morte.

Obs.: exercício originalmente escrito no primeiro período de faculdade de Jornalismo. Uma colega argumentou a minha ênfase em relação à Via Expressa, também salientou a respeito do nome do homem que dirigia o carro e quis saber qual era a velocidade em que ele estava, e meu exagero no uso da vírgula.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Carnaval termina, ano começa

Marcelo Mesquita

O desfile das escolas de samba, principalmente do Rio de Janeiro, é algo que encanta o público local e estrangeiro. Centenas de pessoas lotam as arquibancadas. As escolas levam para a Sapucaí um brilho e pompa tão exuberantes que alguns dizem que é o maior espetáculo da Terra. Este ano de 2013 não foi diferente e continua a fazer jus ao grande show que é. No entanto, além do público que acompanha os desfiles, há uma pessoa em especial nas quais as escolas têm que mostrar que seus quesitos valem mais do que as outras. Essa pessoa é o jurado. No carnaval do Rio deste ano, os jurados deram mais notas 10 para a Unidos de Vila Isabel que acabou por levar o título. Além de ter sido considerada a favorita, a escola agradou os jurados com o enredo “A Vila canta o Brasil celeiro do mundo – ‘água no feijão, que chegou mais um’”.
A Rainha de Bateria, Sabrina Sato, esbravejou a vitória ao dizer que “A voz do povo é a voz de Deus e esse ano nós somos campeões”. Com coreografia de Carlinhos de Jesus, os ritmistas aproveitavam o intervalo das paradinhas para dançarem quadrilha. Outra figura emblemática da escola é Martinho da Vila que no dia do desfile completou 75 anos. Porém nem só de carnaval vive o público, quando a folia termina a ficha tem que cair para o ano que se inicia, e com ela vêm os impostos, as contas, cartões estourados e tantas outras dívidas que, às vezes, nem a labuta consegue sanar. Resta agora aos apaixonados pela Vila Isabel comemorarem o título, enquanto outros já devem adiantar a cura da ressaca, pois na próxima semana o ano de 2013 começa de fato, e aí sim, vamos dançar a música nossa de cada dia e sem levar nenhuma nota de jurado.
Fotos: Riotur/divulgação

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Incêndio em boate de Santa Maria, Rio Grande do Sul, deixa mais de 200 mortos

Marcelo Mesquita



Um incêndio na boate Kiss na cidade de Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, causou a morte de 231 pessoas segundo números oficiais divulgados pelas autoridades locais. Eram 2h30 da manhã do dia 27 de janeiro quando, de acordo com testemunhas, faíscas de um sinalizador aceso pela banda que se apresentava no local atingiram o teto de isolamento acústico da boate que tem capacidade para até 2 mil pessoas. A maioria das vítimas eram estudantes universitários e morreram asfixiados pela fumaça tóxica que se espalhou rapidamente pela discoteca. Segundo relatos, houve pânico quando as pessoas perceberam o incêndio e muito tumulto ao tentarem sair pela única porta existente. Não havia portas de emergência suficientes para a quantidade de pessoas. O número exato do público que estava presente ainda não foi divulgado. Foi realizado um velório coletivo em um dos ginásios do Centro Desportivo Municipal, além de um culto ecumênico assim que a identificação dos corpos terminou.
O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, decretou luto oficial de 30 dias e prevê a contratação de profissionais da área da saúde, inclusive psicólogos e psiquiatras, para darem total assistência às famílias das vítimas. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acompanhou os desdobramentos do incêndio e divulgou o pesar em sua conta no Twitter. A presidente Dilma Rousseff estava no Chile para participar da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia (UE), e cancelou a agenda para vir à Santa Maria para tomar providências.
Fotos: Agência Brasil/divulgação

domingo, 19 de agosto de 2012

TJ Uniterói #03 - blocos 1,2,3 e 4

Programa produzido por estudantes de Jornalismo
Gravado em setembro de 2009

Matérias:
Greve dos Correios
Inventário do Turismo
Crianças na Câmara Municipal
Entrevista: Oscar Marmolejo
Vôlei do Unipli
Dia Mundial sem carro
Inauguração do novo estúdio com programa de José Carlos Araújo e cineclube
Mostra de Flores

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Brindemos à poesia

Marcelo Mesquita

Um Brinde à Poesia: os poetas se reúnem na penumbra do teatro, uma luz tímida é projetada no palco e o público se acomoda nas cadeiras e contempla esse momento de magia. Os poetas se apresentam e cada um mergulha fundo na complexidade das palavras que são ditas com tanta veemência que parece que dá para pegá-las no ar. A emoção é sentida em cada gesto, em cada suor e em cada riso, alguns são banais, outros geniais, não importa. A poesia é única naquele instante e Lucília, trajando suspensórios e um chapéu robusto, conduz o espetáculo. Foi aos 14 anos de idade, na timidez da adolescência, que a poetisa Lucília Dowslley se interessou e escreveu a sua primeira poesia, chamada “Solidão”, pois ficava quieta na carteira e não se comunicava em sala de aula. Sua pretensão era sempre sair dali e se comunicar com as pessoas em volta.
            - Escrevia muito sobre solidão e sobre as notícias que eu lia sobre o mundo, e lembro que eu chorava e escrevia – explica a poetisa.
            Desde então, Lucília descobre a poesia de Fernando Pessoa, Cecília Meirelles e Vinícius de Moraes, porém foi com Pessoa que ela se envolveu e teve mais contato.
            - Carla Soares, uma grande amiga, trouxe o Pessoa para os palcos, para a minha trajetória poética, porque ela sabia de cabeça os textos grandes e eu fui ter mais contato com Pessoa dentro da poesia falada e nas apresentações que eu fazia – afirma.
            No entanto, na noite de 10 de maio de 1999, dois dias para seu aniversário, uma revelação num sonho mostrou à Lucília como seria o evento, algo como um anjo dizendo tudo que deveria ser feito para que “Um Brinde à Poesia” fosse de fato um momento mágico e sublime.
            - Acordei com a ideia do nome na cabeça, da foto que seria símbolo do movimento, da data em que eu deveria lançar, quem seriam os patronos, os poetas que iriam falar no lançamento, se eu deveria fazer uma publicação de mil livretos que poderia ser distribuído no evento. A foto-símbolo foi uma que fiz no Central Park, em Nova York um ano antes, em 1998, guardei e intitulei como “Meu Anjo” – complementa.
            “Um Brinde à Poesia” é um sarau poético apresentado no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói-RJ, mas no início apenas Lucília e Carla apresentavam trabalhos de Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes. Nas edições posteriores até hoje são sempre três poetas convidados, Lucília faz a abertura, há uma canja, que é o momento em que o público que chega pela primeira vez, ou pessoas que nunca participaram da programação como poeta convidado, podem ir ao microfone e falar um poema de sua autoria ou de qualquer outro poeta.
            - Depois, os três poetas convidados do mês prestam uma homenagem a algum compositor brasileiro e, às vezes, no mesmo mês, há algum poeta consagrado e aí tem uma atração musical também que sempre me acompanha – ressalta Lucília.
            Lucília ainda lembra da parceria com a Fundação de Artes de Niterói que a ajuda na divulgação, além da cidade ter um clima propício para poesia. Ela se sente feliz pelo público ter contato e ir porque gosta ou das pessoas que vão para conhecer e passam a gostar, a se interessar mais e a frequentar e estar todo mês até chegar ao ponto deles pegarem o microfone e se apresentarem. Para ela todos são importantes, independente se o poeta tem uma projeção nacional ou mundial, o que importa é a pessoa se expressar e ter esse canal de expressão. A arte para Lucília faz com que o ser humano consiga ter um caminho para o autoconhecimento e uma visão geral do mundo que o rodeia. “Um Brinde à Poesia” é uma vitrine para quem está começando, inclusive, para ter a oportunidade de mostrar o trabalho autoral, tanto de poetas quanto de compositores. Ao final, Lucília declara e transcende nas palavras que define o que é poesia.
            - A poesia é a vida, é esse pulsar, é despertar um brilho no olhar, um sorriso, é abrir os olhos pela manhã e perceber o céu, os pássaros, as flores. A poesia é a vida, toda arte tem poesia, todo tipo de expressão artística tem poesia, ela está contida em cada ser humano, no cosmos, no universo. Acredito que todo mundo de uma certa forma tem um poeta dentro de si, seja com a palavra falada, na música, o poeta do corpo, da dança, então são várias as formas de expressão em que a poesia se manifesta – conclui.
Foto: divulgação

sábado, 14 de abril de 2012

TJ Uniterói #02 - blocos 1,2,3 e 4

Programa produzido por estudantes de Jornalismo. Gravado em setembro de 2009.
Matérias:
Fort. Santa Cruz
Bienal do Livro
CIEE
Correios
Homenagem ao Reitor do Unipli
Vital Brazil

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Publicitário Pedro de Luna investe em quadrinhos esportivos

Pedro de Luna
Marcelo Mesquita

            Nascido em Volta Redonda, o publicitário e desenhista Pedro de Luna que desde os nove anos de idade mora em Niterói, começa a se interessar por quadrinhos a partir da adolescência. Mas foi nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro em 2007 que Pedro inicia desenhos com certo teor esportivo.
            - Fiz um pôster em que mostrava a cidade e as pessoas praticando esporte, só que era uma paródia com os jogos do Pan, por exemplo, na corrida de obstáculo fiz um cara correndo desviando dos carros e pulando sobre cocô de cachorro – ironiza.
            Desde então, Pedro começa a notar que há pessoas que se interessam em quadrinhos esportivos e percebe que em alguns jornais de grande circulação não têm charge esportiva.
            - Pensei em fazer uma sobre o meu time de coração, em que pudesse desenvolver uma resenha esportiva de cada jogo do Fluminense nos quadrinhos – afirma Pedro.
            A ideia era que todo jogo do Tricolor, Pedro assistisse e desse sua opinião em forma de tirinhas. Em 2010 as tiras foram publicadas no blog www.quadrinhosdoflu.wordpress.com e fizeram muito sucesso quando o clube foi tricampeão brasileiro. Depois de uma pausa no ano passado Pedro inicia 2012 com novas ideias, inclusive de publicá-las num jornal em parceria com outros desenhistas torcedores de clubes rivais.
            - Pensei em retomar com intenção de até estampar as tirinhas em camisetas ou em outros produtos, imagino que poderia entrar num jornal até quatro quadrinhos, a minha do Fluminense, outro de um botafoguense, flamenguista e vascaíno e cada um fizesse a análise da rodada e colocasse o seu ponto de vista – conclui.

Charge produzida por Pedro de Luna
            Pedro não pensa em criar um personagem específico, os protagonistas seriam os próprios jogadores e técnico do clube. Porém as ideias de Pedro não têm limites, para ele seria muito bom se o Fluminense abraçasse o projeto a fim de expor as tirinhas no site do clube, patrocinasse em revistas em quadrinhos ou em uma animação que pudesse passar no intervalo dos jogos.
            - Porque no fundo é uma homenagem que faço ao Fluminense e também é uma forma de ser ouvido, pois a gente nunca sabe se o clube ou o técnico leva em conta o que a torcida está querendo – garante.
            Os quadrinhos ainda ajudam Pedro no dia a dia de sua profissão. Para ele é importante expressar alguma ideia nas ilustrações que realiza.
            - Hoje em dia os empresários procuram pessoas que sejam cada vez mais multimídia. Crio e também ilustro e isso acaba sendo um diferencial, porque eles entendem o que você quer e ainda bem que tenho esse dom – afirma.
            Além dos quadrinhos, Pedro de Luna ainda é autor de Niterói Rock Underground, livro independente que mostra a transição da música e da cultura no país e seus reflexos em Niterói. Em duas semanas de pré-venda já havia vendido 150 exemplares. Além de Niterói o livro já foi lançado em Belo Horizonte-MG, São Paulo-SP, Curitiba-PR, Aracajú-SE e São Luís-MA.
            - O mais legal é poder levar o rock de Niterói para outros lugares do Brasil. Se o pessoal do Fluminense gostar posso ainda fazer o mesmo modelo e lançar algumas revistas em quadrinhos do clube – conclui o torcedor Pedro.
Foto: Marcelo Mesquita